terça-feira, 31 de maio de 2011

Histórias de Irã e Iraque

História do Irã

A aspiração por modernizar o país levou à revolução constitucional persa de 1905-1921 e à derrubada da dinastia Qadjar, subindo ao poder Reza Pahlavi. Este pediu formalmente à comunidade internacional que passasse a referir-se ao país como Iran (Irã ou Irão, em português).
Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido e a União Soviética invadiram o Irã, de modo a assegurar para si próprios os recursos petrolíferos iranianos. Os Aliados forçaram o  a abdicar em favor de seu filho, Mohammad Reza Pahlavi, em quem enxergavam um governante que lhes seria mais favorável. Em 1953, após a nacionalização da Anglo-American Oil Company, um conflito entre o xá e o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh levou à deposição e prisão deste último.
O reinado do xá tornou-se progressivamente ditatorial, especialmente no final dos anos 1970. Com apoio americano e britânico, Reza Pahlavi continuou a modernizar o país, mas insistia em esmagar a oposição do clero xiita e dos defensores da democracia.
Em 1979, a chegada do Aiatolá Khomeini, após 14 anos no exílio, dá início à Revolução Iraniana - apoiada na sua fase inicial pela maioria da população e por diferentes facções ideológicas - provocando a fuga do Xá e a instalação do Aiatolá Ruhollah Khomeini como chefe máximo do país. Estabeleceu-se uma república islâmica, com leis conservadoras inspiradas no Islamismo e com o controle político nas mãos do clero. Os governos iranianos pós-revolucionários criticaram o Ocidente e os Estados Unidos em particular pelo apoio dado ao xá; as relações com os EUA foram fortemente abaladas em 1979, quando estudantes iranianos tomaram funcionários da Embaixada americana como reféns. Posteriormente, houve tentativas de exportar a revolução islâmica e apoio a grupos militantes anti-Ocidente como o Hezbollah do Líbano. A partir de 1980, o Irã e o Iraque enfrentaram-se numa guerra destruidora que durou oito anos.
Reformistas e conservadores continuam a enfrentar-se no Irã, mas desta vez através da política. A vitória de Mahmoud Ahmadinejad na eleição presidencial de 2005 tem dado causa a um aumento nas tensões entre o Irã e inúmeros países ocidentais, em especial no que se refere ao programa nuclear iraniano. Uma vez que, inúmeros páises tem sustentado que o real interesse iraniano seria o desenvolvimento de armamentos nucleares, o que poderia gerar grandes crises no oriente médio e em todo o mundo, devido aos constantes discursos do presidente iraniano que sustentam o interesse em exterminar com o estado de Israel e seu povo.
Em 2009 Mahmoud Ahmadinejad se reelegeu sob suspeitas internacionais de fraude, o que gerou revoltas na população iraniana, estas foram duramente reprimidas. Assim, demonstrando a fragilidade desta democracia e sua semelhança com governos autoritários e ditatoriais.

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Iraque 

As fronteiras orientais do Império Otomano variaram muito ao longo de séculos de disputas com os Mongóis e outros povos da Ásia Central, posteriormente seguidas de disputas com o Império Russo, no século XIX.
Na região do moderno Iraque, forças inglesas haviam ajudado a organizar sublevações regionais contrárias ao domínio otomano durante toda a I Guerra Mundial. O Iraque moderno nasceu em 1919, quando o Império Otomano, foi desmembrado, depois da Primeira Guerra Mundial.
Em 1920 a Conferência de San Remo levou à imposição de um mandato da Liga das Nações para a Inglaterra administrar o Iraque. O Rei Faissal foi coroado pelos britânicos como chefe de Estado, embora tivesse um poder meramente simbólico perante o domínio inglês. Isto fez eclodir uma nova rebelião independentista. Para dominar o Iraque, as tropas britânicas realizaram uma verdadeira guerra colonial, utilizando-se de forças blindadas e bombardeios aéreos contra vilas e cidades iraquianas durante toda a década de 1920, que incluíram o uso de armas químicas como o gás mostarda lançado de aviões.
Em 1932 o Iraque teve sua independência formalizada, embora continuasse sob forte influência inglesa, já que o Reino Unido conseguiu manter membros do antigo governo colonial (1920-1932) durante o curto período de independência do Iraque governado pelo Rei Faissal (1932-1933) e na sequência, em governos dos seus descendentes da dinastia hachemita .
Após a morte do rei Ghazi, filho de Faissal, em 1939, foi instituído um período de regência, pois o rei Faissal II tinha apenas 4 anos. Na maior parte do período de regência, o tio do rei, Abdulillah (Abdel Ila), governou o Iraque.
Este era um governo pró-britânico até o início da II Guerra Mundial. Em Março de 1940, o Primeiro-Ministro e General Nuri as-Said foi substituído por Rashid Ali al-Gailani, um nacionalista radical, que adotou uma política de não-cooperação com os britânicos. A pressão britânica que se seguiu levou a uma revolta militar nacionalista em 30 de Abril de 1941, quando foi formado um novo governo, pró-Alemanha, encabeçado por Gailani. Os britânicos desembarcaram tropas em Baçorá e ocorreu uma rápida guerra entre os dois países em Maio, quando os ingleses restabeleceram o controle sobre o Iraque e Faiçal II foi reconduzido ao poder. Em 17 de Janeiro de 1943 o Iraque declarou Guerra à Alemanha. A Grã-Bretanha ocupou o Iraque até 1945 e dividiu a ocupação do vizinho Irã com as forças da URSS. Durante a guerra o Iraque foi um importante centro de suprimento para as forças dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha que operavam no Oriente Médio e de transbordo de armas para a URSS. Após a II Guerra Mundial, o Iraque se tornou área de influência dos EUA, assinando oPacto de Bagdá em 1955 com EUA e Turquia.
O Iraque participou da guerra árabe-israelense de 1947-1949 (Ver: Guerra árabe-israelense de 1948), e apoiou os países árabes em guerra contra Israel na Guerra dos Seis Dias (1967) e na Guerra do Yom Kipur (1973).
Com a crise política dos anos 1950, o Iraque chegou a formar uma confederação com a Jordânia em 1958, que dissolveu-se com o fim da monarquia e o início da república no mesmo ano. O período 1959-1979 foi bastante conturbado na história iraquiana, com diversos golpes de Estado e participação em duas guerras.
Em 15 de Julho de 1979, o sunita Saddam Takriti Hussein assumiu o poder, iniciando um governo que duraria até a Invasão Americana ao Iraque em 2003. Saddam Hussein lideraria o Iraque contra o Irã, na longa e sangrenta Guerra Irã-Iraque, apoiado pelos EUA. Entretanto, após invadir o Kuwait em 1990, o país foi duramente atacado pela coalizão de países liderada pelos EUA na Guerra do Golfo, em 1991.
O Iraque foi ocupado pelos EUA e Inglaterra após a invasão de 20 de Março de 2003. Em 28 de Junho de 2004, a ocupação do Iraque terminou "oficialmente", o poder foi transferido para um novo governo liderado por um primeiro-ministro, o iraquiano Iyad Allawi, embora a ocupação militar e a guerra continuem até o presente momento, em 2010.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Fronteiras no Oriente Médio

http://www.estadao.com.br/especiais/as-disputas-territoriais-no-oriente-medio,116792.htm

Pessoal,
Ao clicar link acima, do site do jornal O Estado de São Paulo, vocês encontram um mapa interativo da evolução das fronteiras na região da Palestina.

Abraços,
Flávio.

Obama apoia Estado palestino desmilitarizado nas fronteiras de 1967


Obama falou sobre a paz no Oriente Médio e as revoltas no mundo árabe
WASHINGTON - O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta quinta-feira, 19, apoiar a criação de um Estado palestino com base nas fronteiras de 1967 - anterior à Guerra dos Seis Dias - e desmilitarizado. O líder americano também pediu que os palestinos reconheçam o Estado de Israel, "o que é fundamental para a paz no Oriente Médio".
Em seu esperado discurso para o Oriente Médio e o norte da África - onde diversos países árabes vivem revoltas -, Obama falou sobre a paz entre palestinos e israelenses, o que considerou como prioridade, e comentou a situação na Síria, na Líbia e no Iêmen. O americano, porém, deixou de fora a Arábia Saudita, aliado dos EUA na região e considerado um dos governos mais duros do mundo. Não houve qualquer menção ao país ao longo do pronunciamento.
O americano ainda criticou a política israelense de seguir com a construção de assentamentos. "O sonho de um Estado judaico democrático não poderá ser alcançado com uma ocupação permanente", disse, acrescentando, porém, que os palestinos precisam reconhecer o direito de Israel de existir.
Segundo Obama, o futuro dos EUA "passa pelo Oriente Médio". E em um posicionamento histórico, o presidente disse que apoia a criação de um Estado palestino desmilitarizado nas fronteiras de 1967. Ele novamente pressionou pela retomada das negociações de paz - paralisadas desde setembro de 2010 - e afirmou que "adiar o problema não trará nenhuma solução".
Sobre as revoltas no norte da África, Obama foi incisivo. "País a país, o povo exigiu seus direitos. Dois líderes caíram", disse ele, referindo-se a Hosni Mubarak, do Egito, e Zine el Abidine Ben Ali, da Tunísia, derrubados por revoluções populares. "Mais poderá acontecer", continuou, dessa vez falando sobre Iêmen, Síria e Líbia, onde as forças do governo têm reprimido as manifestações contra os regimes.
"Os eventos dos últimos seis meses mostram que estratégias de opressão não vão mais funcionar", continuou. Ele mencionou a Líbia como "mais grave exemplo" da repressão e acusou o ditador líbio, Muamar Kadafi, de declarar guerra contra seu próprio povo. Quanto à Síria, Obama disse que o presidente Bashar al-Assad tem a escolha de liderar a transição para a democracia ou deixar o poder. "Caso contrário, ficará isolado", disse.
O discurso de Obama marca uma postura mais incisiva do governo americano em relação à Síria e à Líbia, embora países aliados na região, como Arábia Saudita e Bahrein, tenham sido isentados de críticas. Além disso, é a primeira vez que o atual presidente americano apresenta linhas claras sobre a paz que planeja para os conflitos entre israelenses e palestinos.

Contra o Irã, EUA se aliaram a Saddam Hussein

Em 1980, Irã e Iraque iniciaram uma guerra sangrenta, que teve forte motivação no fundamentalismo religioso e na presença dos EUA no Oriente Médio. O conflito, que terminou no dia 20 de agosto de 1988, sem vencedores, é um fato histórico que ajuda a entender importantes conflitos posteriores no Oriente Médio, a exemplo da Guerra do Golfo (1991) e da Guerra do Iraque(2003). 

Até 1979, o Irã era um dos maiores aliados dos Estados Unidos na região - estratégica por abrigar a maior parte das reservas mundiais de petróleo. Neste ano, o país sofreu a Revolução Islâmica, que resultou na deposição do Xá (imperador) Reza Pahlevi e na posse do aiatolá (chefe religioso) Ruhollah Khomeini como líder máximo do país. 

Xiitas no poder

O Irã deixava de ser uma monarquia alinhada ao Ocidente para se tornar uma brutal ditadura fundamentalista islâmica. O fato de a população ser de maioria xiita (islâmicos radicais) explica a maciça adesão à revolução. Khomeini defendia a expansão da revolução, o que criou atritos com outras nações do Oriente Médio, e criticava abertamente os EUA, acusando-os de corromper os valores islâmicos. 

Conseqüências da Revolução Islâmica

Uma das principais conseqüências da revolução foi o rompimento do Irã com os Estados Unidos, que desde então não mantêm relações diplomáticas. Os americanos se viram sem um de seus maiores aliados. Para compensar a perda do Irã, os EUA se aproximaram do país vizinho, o Iraque, onde o jovem vice-presidente havia tomado o poder recentemente por meio de um golpe de estado. Seu nome? Saddam Hussein. Pois é. Inicialmente, o ditador iraquiano foi um aliado estratégico dos americanos no Oriente Médio. 

A guerra começou em 1980 por um motivo que, teoricamente, não seria suficiente para iniciar hostilidades entre Irã e Iraque: o controle do Chatt-el-Arab, um canal que liga o Iraque ao Golfo Pérsico, por meio do qual é escoada a produção petrolífera do país. Embora a margem oriental do canal fosse controlada pelos iranianos, qualquer embarcação podia atravessá-lo sem problemas rumo ao Iraque. Mesmo assim, Saddam Hussein reivindicou o controle total do estreito. Diante da recusa iraniana em ceder seu território, tropas de Saddam invadiram o Irã e destruíram o que era então a maior refinaria de petróleo do mundo, em Abadã. 

E assim dois países pobres, altamente dependentes da exportação do petróleo, mantiveram um conflito que se dava principalmente por meio de batalhas de infantaria, custando a vida de milhares de soldados e das populações das regiões fronteiriças. O Iraque, que sofreu um pesado contra-ataque iraniano em 1982, foi apoiado principalmente pelos EUA e por outras nações do Oriente Médio, como a Arábia Saudita, cujas elites não viam com bons olhos a expansão do fundamentalismo islâmico, representado pelo Irã. 

Massacre dos curdos

O conflito, travado majoritariamente em solo iraquiano, se caracterizou por vitórias alternadas de ambos os lados, configurando um equilíbrio entre os beligerantes, embora o Irã tivesse uma população três vezes maior. Em 1985, o Iraque teve de enfrentar a sublevação da minoria étnica dos curdos, concentrada principalmente no norte do país. Para evitar um conflito em duas frentes, Saddam resolveu liquidar os separatistas curdos, inimigo mais fraco que os iranianos, de maneira rápida e definitiva. Para isso, usou armas químicas, que mataram cerca de 5 mil habitantes da aldeia de Halabja. 

Completamente esgotados, Irã e Iraque cessaram fogo em 1988, por sugestão da ONU (Organização das Nações Unidas). As fronteiras permaneceram exatamente as mesmas de antes do conflito. Desta forma, é possível afirmar que as vítimas da guerra -cerca de 300 mil iraquianos e 400 mil iranianos- morreram em vão. 

Depois da guerra, Saddam não obteve mais apoio logístico ou financeiro dos EUA e dos outros países árabes, que deixaram de ver o Irã como uma ameaça a seus interesses. Mesmo assim, o ditador manteve sua política agressiva para com seus vizinhos. A próxima vítima de Saddam foi o Kuait, invadido e anexado em 1990. A ação acarretou a Guerra do Golfo em 1991, opondo o Iraque a uma coalizão liderada pelos EUA, o ex-aliado. Mas essa é outra história.
Turbulência no Oriente Médio reduziu Obama a papel de espectador perplexo





SIMON TISDALL
DO "GUARDIAN"

Barack Obama é bom de discurso. Ele comprovou no Cairo em 2009, quando tentou fazer um gesto de conciliação pós-Iraque em direção ao mundo muçulmano.
Mas seu discurso de hoje, no qual vai tentar formular uma visão americana coerente da Primavera Árabe, além dos problemas em curso na Palestina e no Irã, parece ser uma missão impossível, mesmo para um homem com seus dons intelectuais e de oratória.
Longe de estar vivendo uma situação mais pacífica que a de dois anos atrás, o Oriente Médio está passando por levantes turbulentos que reduziram Obama, em grande medida, ao papel de espectador perplexo.
Quanto a Israel-Palestina, a campanha de paz de Obama atolou na areia. Em dois anos de queda de braço com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, ele vem levando a pior.
Netanyahu viaja a Washington esta semana. Vai discursar que o recente acordo de reconciliação entre o Fatah e o Hamas torna impossível negociar (pois metade da liderança conjunta apregoa a destruição de Israel).
Enquanto isso, desafiando Obama, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, está intensificando a campanha pelo reconhecimento pela Assembleia Geral da ONU de um Estado independente e soberano dentro das fronteiras de 1967 (Cisjordânia e Gaza) -uma iniciativa que pode provocar meses de confrontos com Israel.
O que fazer, então? Funcionários da Casa Branca sugerem que Obama vai expressar apoio aos movimentos pró-democracia árabes de maneira geral, mas seguir uma abordagem pragmática.
Isso sem envolvimento americano direto, analisando cada caso individualmente, em lugar de procurar apresentar uma nova estratégia abrangente.
Se o tratamento dado por Obama à Primavera Árabe parece destinado a decepcionar muitos na região, sua aparente falta de novas ideias sobre Israel-Palestina pode ser visto como nada menos que provocante, especialmente por aqueles que gostariam que ele pressionasse Netanyahu.
Outros agora estão exortando os EUA e Israel a cerrar fileiras, argumentando que a instabilidade árabe em curso, a debilidade da Europa e as alianças cada vez mais tensas com o Egito e outros países significam que EUA e Israel vão precisar um do outro mais que nunca.


Tradução de CLARA ALLAIN 

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Palestina: Fatah e o Hamas



Fatah é uma organização política e militar, fundada em 1964 pelo engenheiro Yasser Arafat e outros membros da diáspora palestina. É a maior facção da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), uma confederação multipartidária. Pode ser definido como um partido de centro-esquerda no contexto da política palestina. É essencialmente nacionalista. O partido é menos radical que o Hamas e atualmente prega a reconciliação entre palestinos e israelenses. Esta é uma das principais razões de sua aceitação internacional.
O Hamas, fundado em 1987, é uma organização palestina que inclui uma entidade filantrópica, um partido político e um braço armado. É o mais importante movimento fundamentalista islâmico palestino.
O Hamas é listado como organização terrorista pelo Canadá, União Européia, Israel, Japão e Estados Unidos. A Austrália e o Reino Unido consideram como organização terrorista somente o braço militar do Hamas. Outros países, como a África do Sul, a Rússia, a Noruega e o Brasil não consideram o Hamas como organização terrorista.